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Já ninguém sabe quanto custa nada

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03.05.2026

Entrar num supermercado deixou de ser um gesto simples. Antigamente, entrava-se, comparavam-se preços, escolhia-se e saía-se com a sensação aproximada de ter feito uma compra racional. Hoje, entra-se numa espécie de casino refrigerado, onde quase tudo está em promoção, quase tudo exige cartão, quase tudo oferece desconto imediato, desconto acumulado, segunda unidade mais barata ou preço especial para quem aceitou receber comunicações comerciais durante tempo indefinido.

Há produtos que estão sempre em promoção. A dúvida impõe-se: promoção em relação a quê?

Metade do preço, dois por um, leve três pague dois, campanha limitada que regressa na semana seguinte com entusiasmo renovado. Ao fim de algum tempo, deixa de ser claro quanto custa realmente um pacote de café, uma embalagem de detergente ou uma garrafa de azeite. Não por ser caro ou barato, mas porque o preço deixou de ser evidente.

O momento mais revelador já não é a compra. É o talão.

Aquele papel comprido, cheio de descontos, acertos, campanhas, saldos de cartão e valores abatidos, deixa frequentemente uma sensação estranha. Já não se sabe se a compra foi boa ou se apenas se participou com sucesso num pequeno jogo de adivinhação........

© Observador