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Apesar do horror, a beleza

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02.03.2025

Segundo John Berger, a beleza existe sempre apesar de alguma coisa (Porquê olhar os animais?, Antígona), embora eu prefira a formulação do poeta Issa Kobayashi: “Imperfeito este mundo/E contudo/Recoberto de flores” (Primeira Neve, Assírio & Alvim). Estas formulações baseiam-se na dualidade — o dia e a noite, o mal e o bem, a ordem e o caos, etc. Se só existisse um dos lados, nenhum existiria. Borges falava de um rio que oferece a imortalidade e de outro que a tira (O Aleph, QUETZAL) e Wittgenstein escreveu algo como “se só existisse luz, não existiria luz”. Tudo tem, portanto, o seu contrapeso.

A beleza é um conceito relativo porque depende sempre daquele que olha. Quando admiro uma cicatriz, entendo-a como uma criação extraordinária — é uma espécie de remendo que esconde uma história (que pode ser mais ou menos interessante). Mostra-me as tuas cicatrizes e dir-te-ei quem és,........

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