A caveira na cabeceira
Pensar sobre a possibilidade da morte devia ser uma tarefa diária — uma espécie de ritual que antecede a toma da vitamina C e a carícia na barriga do gato. Mais do que gritar Carpe Diem na biografia da rede social, parece-me fundamental olhar para a caveira na cabeceira, porque é a partir dessa noção que continuamos. Lembro-me de uma frase de Maria Velho da Costa: “A infância é um país mágico donde somos todos expatriados pela percepção da morte” (Myra, Assírio & Alvim) Significa que é quando damos por ela que começamos verdadeiramente. Depois, não seremos nunca mais os mesmos, nem poderíamos.
Mas será que a consciência da morte nos faz aproveitar em dobro? Há uma passagem de Clarice Lispector que contraria a ideia: “Defendia-se da morte por intermédio de um viver de menos, gastando pouco da sua........© Observador
