O apoio económico de Portugal a Moçambique
As graves violações contra os direitos humanos em Moçambique, incluindo assassinatos de opositores ao regime, activistas e jornalistas, têm sido amplamente ignoradas pela comunidade internacional. Portugal, com laços históricos e acordos bilaterais em vigor, tem a responsabilidade de reavaliar sua postura.
Moçambique tem travado uma longa luta na busca pela liberdade. Até aos anos 70, o país fez parte de Portugal, mas conquistou a sua independência em junho de 1975. A insatisfação de parte da sociedade moçambicana com a forma como o território era gerido, muitas vezes mais orientada para os interesses coloniais portugueses do que para as necessidades de Moçambique, deu origem a movimentos nacionalistas e independentistas. Políticos e intelectuais desfavoráveis à independência saíram do país, permitindo que os guerrilheiros radicais da FRELIMO implementassem os seus objetivos. No entanto, a FRELIMO não estava sozinha; contou com o apoio da União Soviética, da China e de Cuba contra as forças armadas portuguesas.
Após a independência, a FRELIMO consolidou-se como um regime de características autoritárias. Nacionalizou terras e indústrias, reprimiu dissidentes e opositores, e mergulhou numa guerra civil com a RENAMO entre 1977 e 1992. Mesmo após a assinatura do Acordo Geral de Paz em 1992, que visava democratizar o sistema político, a FRELIMO continuou a atuar de forma autoritária. As vitórias sucessivas em........
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