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Isabel Moreira, a censurada

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25.05.2026

Como acontece a todas as vítimas desta prática censurável não só no nome, Isabel Moreira queixou-se em alta-voz, com as palavras que quis, num sítio onde podia ser lida por todos, de estar a ser censurada. A censura não costumava funcionar bem assim, mas a verdade é que as palavras evoluem, sobretudo no campo ideológico de Isabel Moreira, em que homem pode significar mulher, casamento pode significar outra coisa, e censura pode significar que nos pagam para falar.

É isso mesmo. Isabel Moreira contou que um canal de televisão lhe pagava para comentar a actualidade, embora depois não a pusesse a falar. O pior é que a estação e a deputada tinham assinado um contrato de exclusividade que, qual bruxa e pequena sereia, roubava a voz à heroína. O pobre e infeliz rouxinol, engaiolado pelo contrato, não pode ir cantar para outra janela. É claro que se soltássemos todos os rouxinóis em situação semelhante teríamos de chamar o Hitchcock outra vez, mas este conseguiu, mesmo com a censura, ser ouvido, pelo que vale a pena olhar para ele.

Deixemos por agora de lado o problema de saber se um deputado devia ou não sujeitar-se a um contrato destes; mesmo que admitamos que não há problema nenhum, é mais ou menos fácil pensar em maneiras sensatas de enquadrar uma situação destas. Quando o guarda-redes suplente do Sporting fica no banco, também não pode ir jogar para o Benfica; é difícil dizer que o Sporting lhe está a roubar a oportunidade de ser jogador de futebol – está a dar-lhe a oportunidade de ser jogador de futebol, mesmo quando não joga. Não é propriamente estranho falar menos do que........

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