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A família socialista e o “exemplo” de Winston Sánchez

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22.04.2026

Quando há uns dias Ana Sá Lopes encontrou, bem apertado por um cinto mais prosaico, um Churchill dentro de Pedro Sánchez, ninguém levou a mal: às vezes uma pessoa entusiasma-se, arredonda uns casos bicudos, lança uma cortina de fumo sobre outros e a certa altura até já acha que o fumo sai do famoso charuto. Acontece.

O que não esperávamos é que o cognome sinalizasse a avareza de Sá Lopes. Faltava um elemento essencial. Se já tivéssemos assistido à Global Progressive Mobilisation, saberíamos que Churchill é pouco.

Isto porque, nos últimos dias, a esquerda mundial – ou os Progressistas, como preferem ser chamados, e olhem que eles dão muita importância ao direito a escolher o que os outros dizem – esteve reunida em Barcelona. Foi um acontecimento de grande aparato. Um pavilhão com cinco mil pessoas, luzes, música triunfante. Presidentes. Ex-presidentes. António Costa, José Luís Carneiro, Pedro Silva Pereira. Figurões do ártico ao antártico, todos juntos, e unidos num propósito que cumpriram com enorme competência: mostrar que Ana Sá Lopes podia ter sido bem mais enfática.

Uma oradora chamou-lhe “incrível voz moral” da Europa; Lula gabou-lhe a coragem, Rebeca Torró, funcionária do PSOE, a “valentia”; o apresentador disse – literalmente – que Sánchez salvou “literalmente” a alma da Europa, coisa que, a menos que tenha forrado a Grand Place de Bruxelas com indulgências plenárias, não sabemos como se fará; ao pé disto, o que é um Churchill, da parte de uma jornalista que, se tivesse assistido às mesmas cinco horas de conferência a que eu assisti, teria agora um repertório encomiástico muito mais alargado?

Vale a pena assistir a este magno encontro. Ninguém sai mais esclarecido, engolir a papa de banalidades que escorre de umas bocas para as outras exige um estoicismo assinalável e toda aquela feirinha é de um grotesco que envergonha qualquer um. No entanto, há algumas coisas significativas que se tiram deste encontro.

Em primeiro lugar, devia haver alguém disposto a fazer com este tipo de reuniões o mesmo que David Graeber fez com os – como ele lhes chamou no seu livro sobre o assunto – Trabalhos de Merda. Ou seja, a mais gritante perda de tempo deste convívio não vem do facto de ser um encontro de progressistas ou socialistas; a sensação é a mesma que se tem ao assistir à WebSummit, ou que se teria num grande simpósio conservador. Estas são conferências de prestígio, em que são convidados não os grandes pensadores de esquerda nem os melhores oradores, mas as figuras que, por uma razão ou por outra, o organizador julga mais importantes. Isto significa........

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