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A direita "woke"

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11.03.2026

É a nova fórmula da estação política, e tem desfilado pelas discussões mais vanguardistas e sofisticadas da internet. Algumas almas descobriram a “direita woke” e passeiam-na como a um chapéu excêntrico pelos tapetes mais garbosos: a expressão contaminou as bocas por este mundo fora como uma espécie de papeira ao contrário – que em vez de se pegar pelo amor, se pega pela discórdia – e a ideia juntou-se ao pequeno dicionário tribal que hoje passa por pensamento.

Como todas as coisas recentes, difusas, e salpicadas de uma discussão ferventíssima, “direita woke” não quer ainda dizer grande coisa – ou melhor: quer dizer quase tudo, e isso é uma das suas grandes armas. Permite aos comentadores longos textos explicativos sobre algo que podem torcer da maneira que quiserem, escrevendo na verdade mais sobre as suas ideias e os seus fantasmas do que sobre presenças reais. Ainda assim, parece haver pela internet pelo menos três formas diferentes de usar a expressão.

A primeira é a mais simples e mais surpreendente. Surpreendente porque é extraordinário que pessoas adultas, depois de terem passado anos na escola primária (e a julgar pela inteligência que revelam com este uso, deve ter sido quase uma década a coser cotoveleiras no bibe), ainda achem desarmante ouvir uma versão maquilhada do “tu é que és!”. A direita fala de wokismo? Pois eles é que são wokes. E a direita assim emudece, destruída e desmoralizada de todo o seu ímpeto combativo. Trata-se da versão que julga que, por falar de um erro, mesmo que seja para combatê-lo, uma pessoa se enoda nesse erro. Trata-se de um modo de pensar de tal maneira afocinhado na discussão, que já........

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