Urânio!
António Lobo Antunes dizia que se aprende a escrever, lendo. O Carlos Rayo é um leitor em forma de escrita, que se aventurou no mundo desconhecido da literatura, com a candura inconsciente de um Gil Eanes, quando embarcou numa frágil barca de mastro único, rumo ao Cabo Bojador, sem saber bem o que o esperava. Da luta titânica com o mar encapelado das palavras, nasceu o “Urânio!” que representa a dobragem desse tormentoso exercício de passar ideias ao papel, singrando entre ventos e recifes, apenas guiado pelo portulano do ignoto e acompanhado daquele outro eu que escreve, como diria Vergílio Ferreira.
A narrativa do “Urânio!” enraíza na semiótica daquilo que a cultura norte-americana, sempre sintética e arrumada nas suas catalogações, qualifica genericamente de legal thrillers, ficções ancoradas nas múltiplas declinações em que se desdobra o fascinante mundo do direito e seus protagonistas.
Sem enjeitar esta subsunção, o........
