Construção: um vetor de equilíbrio e resiliência
A importância da Construção para a economia pode medir-se pelo seu potencial impacto noutros setores de atividade a montante (e.g. indústria extrativa e transformadora; serviços de arquitetura, engenharia e gestão) e a jusante (e.g. setores da energia, comunicações, saúde, hotelaria, retalho, etc.) da execução das obras. A magnitude do efeito a jusante, referindo-se às redes de infraestruturas necessárias para assegurar o desenvolvimento e funcionamento de outros setores económicos (e.g. através de estradas, ferrovias e telecomunicações), pode superar significativamente a do efeito a montante.
Neste sentido, o valor gerado pelo setor e a sua contribuição para a riqueza de um país, principalmente se este se encontrar num estado de desenvolvimento menos avançado, é muito significativo. No caso de Portugal, a construção assume-se mesmo com um dos principais motores da economia, ultrapassando setores como o do turismo (incluindo comércio, alojamento e restauração) e dos serviços financeiros. De entre os motivos destacam-se as limitações de escala, conhecimento e capital para se ser competitivo noutras áreas; os incentivos financeiros publicos sobretudo orientados para o investimento na construção; e os ciclos políticos cujo sucesso é, em grande parte, medido pelo volume de obras feitas.
Não obstante, devido à sua dependência da conjuntura económica e do nível de investimento noutros setores económicos, a atividade na construção é tendencialmente pró-cíclica, sendo assim historicamente caracterizada por vários ciclos de........
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