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Trump não sabe o que fazer e culpa a Europa

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04.04.2026

Esta campanha no Irão está a decorrer, no essencial, como previ, apesar dos muitos imprevistos que sempre existem numa guerra, como o abate de um F-15 norte-americano deixou claro. Mas é cada vez mais evidente um mau planeamento estratégico dos EUA, com objetivos erráticos e em muitos casos irrealistas, para os meios empenhados e os riscos que Trump está disposto a correr. Isso deixou Trump num beco geoestratégico. Um beco definido por padrões históricos conhecidos, que ignorou. Por exemplo, não temos precedente para um regime ser derrubado apenas por meios aéreos. Mais, temos muitos exemplos de que as guerras assimétricas não garantem vitórias fáceis e rápidas ao lado mais forte, veja-se o Vietname. É assim sobretudo se o lado mais fraco tiver aliados, tirar partido da geografia e apostar em táticas irregulares. É o caso desta guerrilha naval no estreito de Ormuz, que não exige uma grande marinha convencional para ser eficaz. Confirma-se também a importância vital dos pontos de estrangulamento da geopolítica global, como os estreitos de Ormuz ou de Aden, este último é uma artéria vital na ligação comercial entre a Europa e a Ásia que os Houthis, alinhados com o Irão, ameaçam. É um bom exemplo de que as coisas se podem complicar ainda mais, como será também o caso se os iranianos conseguirem fazer refém de um piloto americano.

Um preço elevado, um modesto obrigado

É evidente a superioridade tecnológica e tática dos militares dos EUA, como o comprovam milhares de alvos atingidos. Mas superioridade não é invulnerabilidade, nem garantia de sucesso político. Qual é o grande ganho político para os EUA deste conflito? Ter um Khamenei novo, em vez de um Khamenei velho? Não me parece grande ganho, até ver, sobretudo quando o preço é o Golfo a ferro e fogo, o estreito de Ormuz ameaçado, o mercado global dos hidrocarbonetos inflacionado, e, com ele múltiplos outros setores dos transportes aos micro-chips e à alimentação.

Portugal – diria que mais pelo passado do que pelo presente das relações com os EUA – até tem permitido um uso minimamente condicionado das Lajes, mais generoso do que outros aliados europeus. Isso não evitou os ataques indiscriminados de Trump à Europa, e ameaças à NATO. Pelo menos veio, finalmente, um agradecimento público a Portugal através de Marco Rubio, a voz mais razoável desta Administração. Poderá ser um retorno modesto, mas é melhor do que nada. Defendi que seria o mínimo, e é positivo que tenha acontecido num contexto em que é muito difícil gerir bem as relações com os EUA.

Acreditar na própria propaganda

Trump prefere ignorar a história, e acreditar na sua própria propaganda sobre a omnipotência dos EUA. Nisso está acompanhado por muitos que preferem ver confirmados os seus preconceitos a confrontar-se com factos inconvenientes. Mas só Trump tem o poder acumulado dos EUA, obrigando aqueles que, como eu, têm a obrigação de analisar a política internacional, a acompanhar com atenção as suas palavras, e, sobretudo, as suas ações.

Trump, nunca é demais dizê-lo, claramente subestimou o inimigo. Por isso, EUA........

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