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GLUP, S. A.

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20.04.2026

Em Portugal, a gasolina já não é um combustível. É um expediente. O cidadão aproxima-se da bomba como quem se aproxima de um balcão: leva o carro, o salário e a esperança remota de que, desta vez, o sistema tenha decidido não o castigar em excesso. Depois olha para o visor, engole em seco e paga. É nesse instante que a GALP se transforma em GLUP: deixa de ser apenas uma marca e passa a ser uma onomatopeia. O som exacto de um país que vai engolindo tudo — o preço, a margem, a explicação e a conta.

A defesa habitual é conhecida. A culpa é do petróleo. Da geopolítica. Do Irão. Do crude. Dos mercados. Do destino. O problema é que os números, quando lidos sem maquilhagem, começam a estragar o enredo. No 1.º trimestre de 2025, a ERSE mostrou que Portugal tinha a 8.ª gasolina 95 mais cara da UE com impostos. Mas mostrou também algo muito mais embaraçoso para as gasolineiras: antes de impostos, Portugal mantinha a 7.ª posição entre os preços mais altos da União e apresentava um preço médio 4,6 cêntimos por litro acima da média europeia. Isto muda tudo. Quer dizer que o Estado agrava, sim, mas não inventa do nada o exagero. Uma parte do problema já existe antes de o fisco tocar no litro. E essa parte não é do Ministério das Finanças. É da GALP, a líder do setor.

A comparação com Espanha é o álibi favorito de quem quer esconder a floresta atrás do posto de abastecimento. A mesma ERSE nota que, no 1.º trimestre de 2025, Portugal praticava um preço sem impostos 2,4 cêntimos por litro inferior ao de Espanha, mas acabava 19,5 cêntimos acima quando se acrescentava a carga fiscal. Tudo isso é verdade. Mas a verdade completa é outra: comparado com o conjunto da UE, Portugal já estava entre os mais caros antes de impostos. Portanto, a conversa séria tem de deixar de usar o Estado como biombo absoluto. O fisco pesa muito; a estrutura comercial do sector também. E a GALP, sendo a grande referência do mercado português, não pode fazer de conta que assiste a isto como quem observa o tempo pela janela.

A ENSE ajuda a ver a mecânica com uma frieza quase insultuosa. No........

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