Aljubarrota: quando Portugal decidiu existir
Há batalhas que ganham territórios. Outras ganham tempo. Aljubarrota ganhou uma coisa mais rara: a possibilidade de Portugal continuar a ser Portugal.
Em 14 de Agosto de 1385, há 641 anos, no campo de São Jorge, perto de Aljubarrota, não se enfrentaram apenas dois exércitos. Enfrentaram-se duas ideias de legitimidade. De um lado, Castela, com a força do número, da sucessão dinástica e da ambição peninsular. Do outro, um reino pequeno, politicamente ferido, socialmente dividido, mas ainda capaz de reconhecer que a legalidade sem liberdade pode tornar-se apenas a gramática elegante da submissão.
A crise começara com a morte de D. Fernando, em 1383. A sua filha, D. Beatriz, casada com o rei de Castela, abria a porta a uma solução dinástica aparentemente impecável e politicamente fatal: Portugal podia deixar de ser reino independente sem que ninguém precisasse de o conquistar formalmente. Bastava respeitar as regras até elas deixarem de proteger a casa comum. É uma lição antiga, mas sempre nova: há momentos em que a forma da lei pode ser usada contra o espírito da liberdade.
Foi então que emergiu D. João, Mestre de Avis. Não como figura romântica inventada........
