Política e políticos: onde fica o limite da nossa segurança
Passou pouco mais de meio ano sobre a sequência de tempestades que pôs o país à prova e, como em cada ciclo anterior, a paisagem mediática já se ocupou de outras urgências. As equipas de avaliação concluíram, os relatórios foram entregues, os ministros prometeram, as comissões parlamentares discutiram. Daqui a três meses, ninguém se lembrará. Daqui a três anos, voltaremos a discutir os mesmos diagnósticos com palavras quase idênticas, depois de um novo evento que nos apanhará “de surpresa”.
O horizonte eleitoral como prisão cognitiva
A política democrática portuguesa, à imagem de tantas outras, opera num horizonte temporal que raramente excede o ciclo eleitoral. Quatro anos para a Assembleia da República, quatro anos para as autarquias, cinco anos para o Parlamento Europeu. Os decisores não pensam para além desse limite porque, muito simplesmente, o sistema não os obriga a fazê-lo nem os recompensa por isso. O bom governante, nesta lógica perversa, é aquele que entrega resultados visíveis dentro do mandato, não aquele que prepara o país para a década seguinte.
Esta miopia institucional não é um vício pessoal de uns políticos mais egoístas e de outros menos. É o resultado previsível de uma engenharia de incentivos que premeia a fotografia da inauguração e penaliza o investimento de longo prazo, cujo retorno só será colhido por sucessores políticos, eventualmente adversários. Investir em infraestrutura preventiva torna-se, neste quadro, uma forma de altruísmo eleitoral. E os altruístas eleitorais não costumam ser reeleitos.
A aritmética do esquecimento, dos incêndios às tempestades
Pedrógão Grande, junho de 2017. Mais de seis dezenas........
