A paz que nos adormece
Esta quinta-feira, dia 18 de junho, enquanto os líderes europeus se reuniam em Bruxelas para discutir, mais uma vez, o futuro do mercado de carbono, chegou de longe a notícia que os mercados aguardavam havia meses. Os presidentes dos Estados Unidos e do Irão assinaram um memorando de entendimento que põe fim, pelo menos no papel, a uma guerra que durou um inverno e uma primavera. O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo do mundo, prepara-se para reabrir, o bloqueio aos portos iranianos cessa, e o barril, que em março escalara aos oitenta e dois dólares e carregava um prémio de risco que parecia instalado para ficar, recuou para perto dos setenta e oito. Respira-se. E é precisamente o alívio, esse alívio merecido e profundamente humano, que deve inquietar quem pensa a longo prazo.
Porque há uma lei incómoda da nossa espécie que nenhuma trégua revoga: transformamo-nos sob pressão e esquecemo-nos mal a pressão alivia. A reforma é filha do susto, e o susto, felizmente para a vida e perigosamente para a estratégia, não dura.
A reforma é filha do susto
Quem percorrer a história económica do último meio século encontra a mesma figura repetida até à exaustão. Foi o embargo de 1973 que ensinou o Ocidente a falar de eficiência energética, e foi o petróleo barato dos anos oitenta que o fez desaprender quase tudo o que tinha jurado. Foi a invasão da Ucrânia, em 2022, que levou a Europa a descobrir, em pânico, que dependia do gás de quem a ameaçava, e foi o recuo dos preços do gás, dois invernos depois, que........
