No Vácuo Não Há Som, Mas Também Não Há Silêncio
Se há algo que me fascina enquanto engenheiro eletrotécnico e de computadores, especializado em controlo e robótica, é o conceito de sistemas em interação. Tudo na natureza – e até nas máquinas que criamos – depende de entradas, processamento e saídas. Por exemplo, um robô precisa de sensores para “ver”, “ouvir” ou “sentir”. Se faltar um desses elementos, toda a lógica de funcionamento pode ser comprometida.
Agora, imaginem um engenheiro com deficiência auditiva e visual. Parece o início de uma anedota, mas é a minha vida. E não, não há aqui robôs para compensar as falhas (ainda), apenas uso um implante coclear e uma prótese para conseguir ter a percepção do som, e uns óculos para corrigir a miopia, mas não cura as minhas deficiências, e continuo a ver com a falta de visão central no olho esquerdo (devido a um problema congénito). É uma existência repleta de adaptações curiosas, momentos tragicómicos e reflexões profundas – especialmente quando o “sistema” que é o nosso corpo decide fazer umas alterações de firmware. Ah, e para tornar tudo mais interessante, o síndrome de Charles-Bonnet junta-se à festa, criando sons e vozes que não existem. Uma maravilha, não acham?
Quando os sentidos são os sensores da vida
Enquanto engenheiro, aprendi que qualquer sistema eficiente depende da qualidade dos seus sensores. Quanto mais precisos, melhor o desempenho. E, ao longo dos anos, percebi que o nosso corpo é uma máquina engenhosa – mas também vulnerável. A audição é o microfone da nossa vida: capta os sons, interpreta frequências e até ajuda no equilíbrio. A visão é, claro, a câmara principal. O tato, o sensor de proximidade, e o olfato e o paladar são as nossas “entradas químicas”. Mas o que acontece quando o sistema perde parte destes sensores? Bem,........
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