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A calçada portuguesa e o silêncio: beleza, risco, isolamento

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12.04.2026

Há algo de profundamente simbólico na calçada portuguesa. É bonita, identitária, quase poética. Desenha cidades, conta histórias e conduz-nos por ruas que convidam ao encontro. Mas quem nela caminha conhece também o outro lado: quando chove, torna-se traiçoeira, escorregadia, quase um aviso silencioso — “fica em casa”.

Esta dualidade serve de metáfora poderosa para um fenómeno igualmente invisível e contraditório: a perda auditiva e o seu papel no isolamento social em Portugal.

Tal como a calçada, a vida social oferece caminhos de encontro, partilha e pertença. No entanto, para centenas de milhares — ou mesmo milhões — de portugueses, esses caminhos tornaram-se difíceis de percorrer. Não por falta de vontade, mas por obstáculos subtis, silenciosos e muitas vezes ignorados.

Estima-se que cerca de 10% da população portuguesa tenha dificuldades auditivas, o que corresponde a aproximadamente um milhão de pessoas. Mas este número esconde mais do que revela. Quando incluímos perdas ligeiras, não diagnosticadas ou não assumidas, o total poderá aproximar-se dos 1,5 a 2 milhões — ou seja, até um em cada cinco portugueses.

E, no........

© Observador