O mito dos teóricos e dos práticos da gestão
Nos últimos anos ganhou força uma ideia que parece reunir um consenso cada vez maior: as universidades vivem desligadas da realidade. O argumento repete-se com a convicção das verdades evidentes. Os professores permaneceriam encerrados no mundo das teorias, os estudantes concluiriam os seus cursos sem preparação para o mercado de trabalho e as empresas acabariam por ensinar aquilo que a academia nunca foi capaz de transmitir. No ensino da gestão, esta narrativa tornou-se quase um lugar-comum. Quantas vezes se ouve afirmar que “a verdadeira gestão aprende-se nas empresas” ou que um gestor com vinte anos de experiência sabe incomparavelmente mais do que um professor que passou a vida na universidade? A conclusão implícita é sempre a mesma: as escolas de gestão produzem teóricos; as empresas produzem gestores.
Kurt Lewin escreveu que “nada é mais prático do que uma boa teoria”. Poucas frases descrevem tão bem a missão de uma escola de gestão.
A crítica contém um elemento de verdade, mas apenas um elemento. Ninguém aprende a gerir uma organização apenas lendo livros. A liderança, a negociação, a tomada de decisão sob pressão, a gestão de conflitos ou a condução de equipas exigem contacto com pessoas reais, problemas reais e consequências reais. Um ensino da gestão que ignorasse esta dimensão seria inevitavelmente incompleto. Contudo, concluir daqui que a universidade é dispensável ou que o conhecimento teórico tem pouca utilidade revela uma compreensão limitada daquilo que significa formar um gestor.
A função da universidade nunca foi ensinar apenas procedimentos; foi, sobretudo, ensinar a compreender. E compreender é muito diferente de repetir. Um gestor pode aprender, através da experiência, a conduzir reuniões, elaborar orçamentos ou avaliar o desempenho dos colaboradores. Outra coisa, porém, é perceber por que razão determinadas práticas funcionam numa organização e falham noutra, distinguir uma moda de........
