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A narrativa da ONU sobre natalidade

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08.05.2026

Há relatórios que esclarecem. E há relatórios que, sob a aparência de correção moral, simplificam em demasia realidades complexas. O mais recente documento do UNFPA (ONU) apresentado como um antídoto contra a ideia de que “as pessoas não têm filhos porque não querem”, corre o risco de cair precisamente no erro que denuncia: substituir uma explicação redutora por outra igualmente incompleta.

Convém começar pelo essencial. A literatura científica das últimas décadas é notavelmente consistente em um ponto: o declínio da natalidade é um fenómeno multifatorial, profundamente enraizado em transformações económicas, sociais e culturais. Não há um único motor. Há um sistema de forças interdependentes.

Ao recentrar o debate quase exclusivamente nos “constrangimentos”, como custos, habitação, precariedade, o relatório da ONU não está errado. Mas está incompleto. E, ao sê-lo, torna-se enganador.

Vejamos o que dizem os dados.

Estudos do Pew Research Center que já aqui citei e comentei na rádio mostram um aumento claro da proporção de adultos que afirmam não querer filhos ou querer menos filhos, citando razões como autonomia pessoal, estabilidade financeira e liberdade de estilo de vida.

A OCDE, em análises........

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