O terceiro choque petrolífero: o mundo já não muda como soía
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
A genialidade do nosso maior poeta revela-se na modernidade desta reflexão, que deveria ser referência obrigatória para quem hoje decide e intervém.
Camões recorda-nos que a mudança é estrutural: o mundo transforma-se independentemente da nossa vontade ou consciência. Mas adverte-nos também para algo mais profundo: o verdadeiro espanto não nasce do facto de o mundo mudar, mas de o mundo já não mudar como aprendemos a esperar.
É precisamente nesse espaço – entre a transformação e a perda de referências – que se instala a crise geoeconómica e geopolítica atual. Não se trata de um simples desvio a um equilíbrio que se restabelecerá, como ocorreu noutras circunstâncias, mas da expressão de uma rutura estrutural profunda, que deixa de obedecer às formas habituais de recuperação e exige um novo sistema de referências para compreender as transformações em curso e reconstruir confiança sistémica.
É aqui que entra o que........
