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O terceiro choque petrolífero: o mundo já não muda como soía

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01.05.2026

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,

Muda-se o ser, muda-se a confiança;

Todo o mundo é composto de mudança,

Tomando sempre novas qualidades.

E, afora este mudar-se cada dia,

Outra mudança faz de mor espanto:

Que não se muda já como soía.

A genialidade do nosso maior poeta revela-se na modernidade desta reflexão, que deveria ser referência obrigatória para quem hoje decide e intervém.

Camões recorda-nos que a mudança é estrutural: o mundo transforma-se independentemente da nossa vontade ou consciência. Mas adverte-nos também para algo mais profundo: o verdadeiro espanto não nasce do facto de o mundo mudar, mas de o mundo já não mudar como aprendemos a esperar.

É precisamente nesse espaço – entre a transformação e a perda de referências – que se instala a crise geoeconómica e geopolítica atual. Não se trata de um simples desvio a um equilíbrio que se restabelecerá, como ocorreu noutras circunstâncias, mas da expressão de uma rutura estrutural profunda, que deixa de obedecer às formas habituais de recuperação e exige um novo sistema de referências para compreender as transformações em curso e reconstruir confiança sistémica.

É aqui que entra o que........

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