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União Europeia - Prospetiva, contingência e política pública

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05.07.2026

Regresso a uma temática que me é muito cara, a saber, as relações no quadro europeu entre prospetiva, contingência e política pública. Estamos em junho de 2026 e estas relações são fundamentais, agora que estão já em curso os procedimentos relativos à preparação de mais um período de programação plurianual de fundos europeus 2028-2034. No atual contexto, o ambiente geopolítico internacional está de tal modo sobrecarregado que a contingência se tornou uma segunda pele da prospetiva. Ora, justamente, no universo da cibercultura em que estamos mergulhados, a prospetiva enquanto teoria do tempo social deixou de ser uma macro prospetiva para a configuração de um futuro melhor, para ser uma micro prospetiva no âmbito de um certo solucionismo tecno-digital. Se quisermos, uma modernização incremental, racionalizada e melancólica conduzida no quadro de instituições e burocracias e seus respetivos dispositivos tecno-digitais. Ou seja, no atual contexto, a prospetiva deixa de ser o futuro como progresso e esperança e passa a ser o futuro como risco e probabilidade. Trata-se, portanto, para a prospetiva, de uma dupla tarefa: minimizar o risco implicado por esta interdependência sistémica e seus efeitos colaterais, por um lado, alargar o campo das possibilidades e da liberdade, apesar da contingência, por outro. Em resumo, uma cultura de prospetiva fortemente condicionada por uma cultura de contingência.

A grande questão é que esta redução do horizonte da prospetiva acontece numa conjuntura geopolítica e geoeconómica em que a União Europeia mais precisava de uma macro prospetiva arrojada – a revisão do conceito estratégico de autonomia e segurança europeia – e, também, de uma meso prospetiva pragmática que soubesse inovar o policy-framework para a próxima geração de políticas públicas europeias, aquela que preencherá o período de programação 2028-2034. E tudo isto é especialmente singular no caso de um objeto politicamente não-identificado (OPNI) como é a União Europeia. No entanto, no caminho estreito e movediço entre a prospetiva e a contingência, o seu mérito principal acaba por ser, paradoxalmente, a própria inércia do sistema comunitário que, pelo jogo das instituições e do soft power, transforma problemas graves em problemas crónicos. No tempo que passa não é de somenos importância. Vejamos, mais de perto,........

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