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Jason Arday e a crise da Universidade

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19.08.2026

O trágico final de Jason Arday – com o jovem professor catedrático a ser encontrado morto em sua casa em Londres poucos dias depois de se ter demitido da sua posição em Cambridge – não deve impedir a reflexão séria sobre o caso. Aliás, parte do respeito que é devido a Jason Arday como pessoa inclui não lhe negar retrospectivamente a possibilidade de agência pela sua conduta passada, reduzindo-a a uma vítima totalmente manipulada por um ou outro lado do sistema. Com base no que foi revelado desde que o caso começou, parece impossível negar que Arday foi, até ser denunciado e alvo de escrutínio, um charlatão extraordinariamente persuasivo e bem sucedido. Além dos múltiplos fortes indícios de fraude no plano académico, Arday acumulou várias histórias que deveriam ter suscitado suspeitas muito antes: desde correr 30 maratonas em 35 dias até sucessivas alegações de perseguição pessoal não confirmadas (o insuspeito Guardian disponibiliza aqui um bom resumo dessas histórias).

Não é, claro, incompatível que Arday pudesse ter muitas qualidades pessoais – em especial no plano comunicacional e de relacionamento interpessoal – e, simultaneamente, ser um mentiroso patológico e um fantasista. São aliás características que muitas vezes convivem no mesmo perfil psicológico e a natureza humana, como convém nunca esquecer, é complexa e muitas vezes retorcida (ou não fosse o pecado original uma condição universal comum a todos nós). O que é mais notável no caso não é Jason Arday em si mesmo, mas como foi possível chegar onde chegou sem que a charlatanice fosse detectada antes. É essa a questão mais importante e sobre a qual importa reflectir.

Esta é uma questão que pode, naturalmente, ter vários ângulos possíveis de análise. Um primeiro, entre nós bem apontado e resumido por Mário Amorim Lopes, foca-se em especificidades nacionais que associa ao declínio moral do Reino Unido:

“Na verdade, o caso Arday é apenas o sintoma do longo e lento declínio moral do Reino Unido. A polícia foi uma dessas instituições severamente afetadas........

© Observador