O realinhamento político em curso
A crise da dívida pública na zona euro provocou abalos que ainda hoje se sentem. Não só a nível económico e financeiro, mas também político e social. Políticas de protecção social sem um sistema económico capaz de as sustentar a longo prazo deram força a incentivos estatais para um crescimento baseado em dívida privada. Às duas dívidas, pública e privada, somou-se uma disfunção económica, com um consumismo desenfreado e investimentos artificialmente canalizados para certos sectores em detrimento de outros, mais produtivos. O resultado inevitável foi a aprendizagem generalizada de que as dívidas não são sustentáveis. Da crise económica à descredibilização política foi um passo.
Com a crise financeira e económica, os Estados tiveram de proceder a cortes que quando não incidiram nos salários ou nas pensões se centraram no custo e na qualidade dos serviços públicos. Os efeitos não foram imediatos, mas sentiram-se. De forma gradual cada um de nós sente na pele um........
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