O meu sogro
Nascido numa família de médicos (pais e avô paterno) e tias professoras universitárias, quando me casei entrei numa de profissionais liberais e nenhum funcionário. Sentado ao topo da mesa nos almoços de domingo, o meu sogro era o maior e o melhor de nós, meros aprendizes. Sem estudos universitários era dono de uma empresa em Évora com dezenas de funcionários que, em décadas, nenhuma crise (e foram muitas) afectou ao ponto de ter problemas. O meu sogro tinha esta característica que admiro e que só tinha encontrado no meu patrono, também empresário, quando fiz o estágio de advocacia: preparava-se para o pior sendo cauteloso e não dando um passo sem garantir primeiro que tinha forma de recuperar e não se tornar num encargo para os outros. E como o fazia, raramente foi surpreendido. Naturalmente, tudo isso tem um custo. “Ó André, sabes, há uma coisa que eu faço questão”, contou-me numa das muitas conversas que tivemos, dessa vez sobre a hora a que nos levantávamos de manhã para trabalhar. Eu cedo, porque gosto. Ele madrugador, porque........
