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A armadilha de achar que a política pede simplicidade

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30.08.2026

Luís Marques Mendes regressou por uns momentos à esfera pública na universidade de Verão do PSD para dizer aos mais novos que hoje a política funciona “(…) num clima de crispação da direita à esquerda, um clima quase de campanha eleitoral.” Para explicar melhor o seu ponto de vista deu os exemplos de Francisco Balsemão e de Mário Soares, acrescentando que tinham uma visão para o país. Eu compreendo e estou de acordo com Marques Mendes, aliás já escrevi várias vezes sobre o tema neste espaço, quando este acha que, ao contrário de Soares, Balsemão e já agora de Sá Carneiro, Freitas do Amaral, Cavaco Silva (e até Cunhal), a maioria dos actuais políticos não tem uma visão para o país. No entanto, daí concluir que esses políticos que marcaram os anos 70 e 80 eram consensuais e não pensavam o tempo todo em eleições é dar um passo muitíssimo maior que a perna. E porquê? Simplesmente porque tanto Soares e Sá Carneiro, como Freitas e Cunhal não fizeram outra coisa que não fosse ir a eleições.

Como também não foram consensuais. Marques Mendes tem mais anos que eu e uma longa vida política atrás de si, de modo que sabe muitíssimo melhor que eu o que os adversários de Soares diziam dele. Que não conhecia os dossiers, que era preguiçoso, que nunca tinha trabalhado, que se tinha formado com média de 10 em Direito, que era um traidor da pátria. De Sá Carneiro que era teimoso, egocêntrico e arrogante. Houve festejos e lançaram-se foguetes quando o avião caiu em Camarate. De Cavaco, que era um simplório que gostava de mandar e de impor a........

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