O turismo bate recordes. Mas quem fica com o valor?
Os principais indicadores da oferta e da procura turística relativos a 2025 foram recentemente publicados pelo Instituto Nacional de Estatística. Confirmam a importância económica do turismo, mas deixam uma pergunta por responder: o crescimento da atividade turística está a produzir benefícios proporcionais para as comunidades e para o património que atraem os visitantes?
Esta não é uma pergunta contra o turismo. É uma pergunta sobre o modelo de turismo que queremos.
Portugal habituou-se a celebrar chegadas, dormidas, receitas e prémios internacionais. A cada novo recorde, multiplicam-se os comunicados e a sensação de que descobrimos a fórmula do desenvolvimento. O problema é que os territórios, ao contrário dos gráficos, não vivem de percentagens. Vivem de habitação, transportes, espaço público, serviços, emprego e património. E esses recursos têm custos.
Uma cidade pode receber mais visitantes e aumentar receitas, mas também perder residentes, encarecer a habitação, substituir comércio local por atividades orientadas para turistas e assistir à degradação dos edifícios que dão sentido à sua atratividade. Nesse caso, há crescimento turístico, mas não necessariamente desenvolvimento local.
Lisboa e os quatro........
