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Saúde mental em contextos de alta exigência

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16.10.2025

“Pensa que isto é uma sorte e que não podes desistir”
(Carolina Deslandes em Cansaço).

A frase, aparentemente simples, é a fotografia de uma realidade profunda, mesmo que pouco visível: aqueles que vivem com paixão o exercício da sua profissão — atletas, artistas, líderes, empreendedores — são frequentemente os que menos se sentem autorizados a dizer em voz alta que estão cansados ou que precisam de ajuda.

Vivemos numa sociedade que idolatra a performance. Produzir mais, mostrar mais, render mais — queremos todos (ou a “sociedade” nos empurra para…) ser protagonistas de um cenário onde somos a figura central de uma vida pessoal e profissional inabalável. Uma tentativa quase infantil de sentir na pele o que é estar num contexto de alta performance, mas raríssimas vezes possuímos os recursos que o verdadeiro alto rendimento exige. Entre eles, a verdade inequívoca do papel do repouso e da recuperação como estratégia imprescindível para uma vida (e carreira) bem-sucedida.

Ao invés disso, deixamos o descanso para os (muito) jovens ou para os “velhos”, porque para os demais a palavra “cansaço” é um tabu de que não se fala. Confundimo-la com preguiça, falta de motivação ou fraqueza. Dizer “estou cansado(a)” não se encaixa na narrativa do sucesso. Mas o cansaço — físico, emocional ou ambos — pode ser o primeiro sinal de um processo mais perigoso: o burnout.

Um dia, um amigo dizia-me em tom de piada: “Um homem depois de morto ainda rasteja cinquenta metros.” Rimo-nos. Mas por baixo da piada observamos a cultura que (lamentavelmente) nos rodeia: a validação social do esgotamento como prova de valor. Cuidar de si, parar, regenerar? Parece fraco. Parece mal.

E, no entanto, o burnout é apenas o outro lado da moeda da resiliência. Uma resiliência levada longe demais, até ao ponto em que a capacidade de aguentar se transforma em incapacidade de viver.

Quando se fala de........

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