O povo é quem mais ordena, dentro de ti, opacidade
Cidadão, na semana passada, uma entidade de que, provavelmente, nunca tinha ouvido falar chamada Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP) decidiu, com base no parecer de outra entidade por cuja existência, ainda mais provavelmente, nunca tinha dado conta, a Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos (CADA), determinou que, doravante, não tem direito a saber quem financia os partidos políticos. Fê-lo, é claro, por si, pelo seu bem, em nome do RGPD, Regulamento Geral sobre a Protecção de Dados, coisa, ao que parece, mais sagrada do que as Escrituras, mais fundamental do que a Constituição. Porque, escreve a douta ECFP, a “associação de um donativo a determinado partido político ou candidatura é, em regra, suscetível de revelar, direta ou indiretamente, as opiniões ou convicções políticas do doador”.
Cidadão, veja a honra. Já agradeceu aos deuses a sorte de ser defendido por tais instituições? A ECFP e a CADA, em nome do RGPD, não o querem deixar saber quem patrocina os partidos que decidem a sua vida por causa do risco de revelar, ó, violência das violências, as opiniões ou convicções políticas de quem os financia. Sim. Num tempo em que toda a gente opina sobre tudo e um par de botas, mesmo que ninguém lhes tenha perguntado nada. Em que, por toda a internet, expressamos gostos e desgostos, concordâncias e discordâncias, comentamos, partilhamos, exibimos amizades e conexões públicas, subscrevemos, cancelamos, condenamos, partilhamos fotografias, vídeos e directos de tudo o que fazemos, onde, como e com quem, a toda a hora, a ECFP e a CADA estão preocupadas com o risco de expor “as opiniões ou........
