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Esperem. Talvez ainda não seja o fim do mundo

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06.02.2026

Os dias não estão fáceis para os pessimistas. Concedamos: nunca estão – é parte da definição de pessimismo – mas estes que vivemos, em particular, abusam daquela solitária alegria que sobra ao profeta desanimado: ter razão. É que, na verdade, o pessimista tem esse desejo secreto de ser contrariado; tal como o hipocondríaco diante do médico segurando os resultados do terceiro check-up do ano, tudo o que ele quer é descobrir que estava enganado. Que tudo está bem. Até disparar o próximo alerta.

Porém, e mesmo neste atormentado Inverno de 2026, pode surgir, de vez em quando, uma brecha rasgando os nublados sentimentos de apocalipse iminente.

Joga-se nas ruas da cidade norte-americana de Mineápolis mais do nosso futuro do que talvez a nossa atenção venha concedendo. Enquanto os desejos expansionistas da actual administração ameaçam reescrever todos os equilíbrios e alianças desde o pós-Segunda Guerra, é possível que a invasão do Minesota cause mais dano ao Make America Great Again do que as da Venezuela, Gronelândia ou Irão. E não apenas porque ali não há pretextos possíveis de alegados ditadores que urja derrubar, corridas mais ou menos encapotadas aos recursos naturais ou simples trincheira para os debates esquerda vs direita, democracias liberais vs. autocracias populistas. Tudo tem a ver com uma velha palavra fora de moda: a verdade, a nossa capacidade........

© Observador