A grande liberdade americana
Nos anos 80 ou 90, era-se livre porque se queria ser livre, porque se queria aderir livremente à democracia, à economia de mercado, às eleições de quatro em quatro ou cinco em cinco anos, à separação de poderes, à imprensa livre e a um McDonald’s na praça principal. Os muros de separação eram construídos, não para não deixar mais ninguém entrar no nosso modelo de vida, mas para não deixar mais ninguém sair. E quando caíam, era por eles mesmos. Por se querer dançar a música que se ouvia do lado de cá.
Nos 20/20, não. A liberdade é agora uma coisa que se deve enfiar goela abaixo. O liberalismo económico, aparentemente, um regime dirigido centralmente a partir do governo, que pretende sufocar com impostos quem não lhe queira vender barato o seu país, que usa o dinheiro público para comprar participações em empresas privadas e lhes dizer o que devem dizer, que tipo de energia devem consumir e que até alvitra qual a receita ideal para a Coca-Cola. Sim, há que encará-lo sem medos: a liberdade americana ou eu – um de nós envelheceu muito mal.
Uma vez mais, a administração moralista que não ia voltar a meter-se na vida dos outros países nem dizer-lhes como viver, meteu-se na vida doutro país para lhe dizer como viver. Depois de tentar anexar o Canadá e a Gronelândia, querer mandar as suas tropas para o México e mudar o nome ao pobre do Golfo, influenciar eleições na Alemanha ou na Hungria, incentivar o........
