Uma junta em cada rotunda
A Troika, de que sinto saudades, queria acabar com metade das autarquias e dois terços das juntas de freguesia, leia-se cerca de 150 câmaras e quase 3 mil das 4259 (!) freguesias. Para evitar motins e cerimónias de autoimolação, o governo de então acedeu a um compromisso: acabar com zero autarquias e com um quarto das juntas. Doze anos depois, o PSD confirmou que lá fora já ninguém está a olhar e, em colaboração com o PS e com o aval dos partidos excepto da IL (o Chega absteve-se), pretende “desagregar” centenas de freguesias e regressar quase à quantidade anterior. O prof. Marcelo vetou a “desagregação”, embora apenas por questões de prazo. A coisa voltará ao parlamento e, agora ou em breve, seguirá em frente. Entre nós, o atraso de vida raramente pára.
É compreensível que a maioria dos partidos seja favorável à multiplicação das juntas, que multiplica os empregos disponíveis e a oportunidade de fazer demagogia com a “vontade das populações”. É mais difícil de compreender a “vontade das populações”, as quais genuinamente parecem gostar de uma extensão do poder estatal em cada esquina ou, vá lá, praceta. Há décadas que, em épocas diferentes, integro as “populações” de diversos lugares e, salvo pela ocasião em que aos 26 anos decidi levantar o cartão de eleitor, nunca penetrei uma junta de freguesia ou, por regra, sequer conheci a respectiva localização. Supondo que as juntas deixaram de armazenar os cartões de eleitor, aliás um item caduco, não consigo imaginar a utilidade de semelhante pechisbeque administrativo. Porém, consigo procurar.
Um belo........
© Observador
