Alterações climáticas: um debate estéril
A partir de um estudo estrangeiro de 2021 e de um estudo nacional ainda não publicado, o “Expresso” concluiu que “Quatro em cada dez jovens hesitam ter filhos [sic] por causa das alterações climáticas”.
Os resultados são assustadores: assusta assistir na nossa época tão informada e esclarecida à repetição do exacto “milenarismo” de há mil anos. E “exacto” é força de expressão. Por regra, as crenças medievais no iminente fim dos tempos tinham alguma razão de ser, e aconteciam em períodos de crise ligados a guerras, fome e epidemias – ou seja, às trivialidades quotidianas daqueles tempos. Hoje, os “jovens”, que prolongam a juventude até à meia-idade e beneficiam de um conforto que os senhores feudais nem sequer podiam imaginar, deixam-se tolher face a uma ameaça vaga, discutível e, salvo na retórica apocalíptica do eng. Guterres, remota. Além disso, os medos justificados de antigamente, aliados à escassez de anticoncepcionais eficazes, não impediam as pessoas de se reproduzirem, imprudência sem a qual não estaríamos aqui, eu, o leitor, os jornalistas do “Expresso” e as jovens que padecem de “ecoansiedade” entrevistadas pelo “Expresso”. Já os medos comparativamente injustificados de agora parecem implicar uma apetência para a extinção da espécie. Antes que o clima trate........
