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Europa contra a nudez falsa

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08.05.2026

A União Europeia chegou a acordo para proibir sistemas de inteligência artificial capazes de criar ou manipular imagens de teor sexual ou íntimo sem consentimento. À primeira vista, poderá parecer apenas mais uma medida regulatória num continente frequentemente acusado de regular tudo e mais alguma coisa. Mas, neste caso, a Europa está a tocar num ponto essencial: a tecnologia não pode transformar o corpo das pessoas em matéria-prima para humilhação pública.

A decisão surge num momento em que os chamados deepfakes sexuais deixaram de ser uma ameaça abstrata. Já não estamos a falar apenas de vídeos falsos de políticos a dizerem o que nunca disseram, ou de burlas com vozes clonadas. Estamos a falar de uma forma nova, sofisticada e profundamente violenta de agressão digital: a criação artificial de imagens íntimas de pessoas reais, muitas vezes mulheres, sem o seu consentimento.

O caso recente de Giorgia Meloni, primeira-ministra italiana, é particularmente simbólico. Imagens falsas, geradas por inteligência artificial, circularam online mostrando-a em lingerie. Não eram reais. Não correspondiam a qualquer momento da sua vida. Eram uma fabricação tecnológica destinada a expor, ridicularizar e sexualizar uma mulher com responsabilidades públicas. Meloni apelou, justamente, a que as pessoas pensassem antes de partilhar conteúdos desse tipo. Mas o problema é precisamente esse: nas redes sociais, muitas vezes partilha-se antes de pensar.

Este episódio mostra que a violência digital já não precisa de câmaras escondidas, invasão de telemóveis ou roubo de........

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