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Tudo vale a pena

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15.04.2026

Comi formiga! Não é uma metáfora, estive em um restaurante amazonense e experimentei a famosa saúva. Sim, só para ter a experiência. Foi então que me questionei quantas experiências perdemos por medo do novo.  Nem sempre aceitamos novidades, pelo contrário. Mudanças doem como armas brancas afiadas que perpassam nossos corpos e causam aflições profundas e noites de insônia. Estava tudo bem, eu já havia me adaptado e, de repente, o meu mundo desmorona porque as coisas mudam e eu não quero que mudem. 

É assim que a vida vira arroz com feijão, eu já conheço; então, continuo. Mesmo prato de comida, mesmos relacionamentos, mesmo trabalho, mesma vida e a vida toda se eu puder. Desse modo, parece que ganhamos estabilidade. Mas, na verdade, perdemos oportunidades de viver novos sonhos, de encontrar novos caminhos.  Podemos comer novos alimentos, ter novos relacionamentos, novos trabalhos, viver novas experiências. E tudo isso não significa desprezar o que temos, mas apenas diz muito sobre podermos viver mais. Como dizia Fernando Pessoa, “tudo vale a pena, se a alma não é pequena”. Parece tão óbvio, mas então por que mudanças machucam tanto? 

Talvez a neurociência possa explicar. Joseph LeDoux investigou como o cérebro processa o medo e a ameaça e demonstrou que certos estímulos podem seguir um “caminho rápido” até a amígdala – região responsável por respostas emocionais – antes de serem plenamente interpretados pelo córtex racional. Na prática, isso significa que reagimos ao novo com ativação automática de alerta e, mesmo que a mudança seja positiva, como o cérebro prioriza segurança e previsibilidade, ele enxerga como um risco.  A psicologia social explica que mudar exige admitir que o que fazíamos antes pode não fazer sentido, nesse sentido, rotina não é só hábito – é proteção psicológica. Porém, a vida muda, tudo muda! Hannah Arendt afirma que mudar não é exceção, é condição da ação humana.  Desde que nasci, o telefone fixo passou a móvel e depois tornou-se um computador de mão. A TV, de P&B, ficou colorida; agora, a IA chegou alterando ainda mais o contexto. E não é só na tecnologia; meu avô passou a vida toda no mesmo trabalho, isso hoje é raríssimo. Uma carreira antes estava ligada à permanência e à progressão; hoje, ela está ligada à adaptação contínua. As famílias mudaram, antes havia casais com 15 filhos, agora temos autonomia para escolher se teremos algum. Tudo flui e o apego não muda isso.

Na prática, tentar se manter permanente em um mundo cada vez mais volátil é perder muito mais do que ganhar e, como seres sociais e racionais, podemos fazer essa escolha, precisamos dizer ao nosso próprio medo que ele não é destino, que somos capazes, que não acabou tudo.  Sobre a formiga? Não é a coisa mais gostosa do mundo – mas não deixei de viver o momento, valeu a experiência. Afinal, nem sempre o que preservamos ainda está vivo. Um brinde ao novo!

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