Censura elegante
Atenção, muita atenção escritores, cronistas, autores, poetas: pensem uma, duas, dez vezes antes de botarem suas ideias e sentimentos no papel. Depois de digitá-los, revisem tudo – uma, duas, dez vezes. E, pelo sim e pelo não, acendam uma vela para Santa Cecília, padroeira dos poetas e outra para São Francisco de Sales, valoroso guardião dos escribas.
O Brasil acaba de importar, diretamente dos EUA, a mais nova e charmosa modalidade de censura à criação – incluindo romances, biografias, aventuras, roteiros cinematográficos, peças de teatro e assemelhados. Trata-se do “sensitivity reader”, e já explico o que o cara faz.
Esse “leitor sensível” que começa a povoar as editoras do mundo, incluindo as do Brasil, vem ocupar o mais novo cargo na hierarquia nebulosa do referido universo. O que ele faz? Ora, o sujeito passa o dia lendo manuscritos e, com um marcador de textos em punho, assinala “conteúdos que possam provocar pressões e boicotes” – segundo a reportagem. Graças ao trabalho desse carrasco dos tempos modernos, as editoras evitam publicar enredos, narrativas, referências,........
