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Estupro, violência e preconceito no Brasil

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04.03.2026

Diz algo grave sobre a sociedade uma jovem de 17 anos, após ter sido estuprada, espancada e humilhada durante uma hora por cinco rapazes em Copacabana (RJ), sentir-se culpada e envergonhada. Nas investigações, as imagens dos suspeitos – com idades entre 17 e 19 anos – deixando o edifício mostram o que parece ser uma comemoração, não remorso.No Brasil, a cada seis minutos, uma mulher é vítima de estupro. E, em comum nessas histórias, é a vítima quem carrega o peso do preconceito.De acordo com o Ministério da Justiça, em 2025 foram 83 mil casos de estupro e estupro de vulnerável no Brasil. Em sua maioria, as vítimas são muito jovens. Seis em cada dez mal chegaram aos 14 anos. E, em praticamente sete de cada dez casos, o criminoso é conhecido ou familiar da vítima, de acordo com o Anuário de Segurança Pública 2025.Fatos que contribuem para uma terceira e ainda mais assustadora estatística em relação ao estupro: somente 10% a 15% dos crimes são reportados às autoridades policiais, segundo o Atlas da Violência. Ou seja, as ocorrências reais podem chegar a perto de um milhão por ano. Há uma causa estrutural. Ainda que em evolução, a estrutura policial para atendimento à mulher ainda é insuficiente. Levantamento do Ministério da Justiça apontava a existência de aproximadamente 500 delegacias especializadas em todo o país concentradas nos grandes centros. Somente algo em torno de 7% dos municípios contam com esse serviço e apenas duas em cada dez funcionam 24 horas.Mas o fator crucial não é material, mas a permanência da chamada “cultura do estupro”. Ela é resultado de uma visão histórica de um papel secundário, subserviente e utilitário da mulher. De forma cruel, essa cultura não apenas “justifica” o abuso como inverte o ônus da culpa afirmando que a vítima poderia ter evitado ou mesmo provocou o abuso.É inaceitável! Devemos repetir isso todos os dias e lutar até que essa cultura seja extirpada de nossos lares e a violência diária contra milhares de meninas e mulheres não seja mais “natural”.

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