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Depois da fotografia

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10.08.2026

Ontem foi Dia dos Pais no Brasil.

As mesas ficaram cheias, os restaurantes também. Houve abraços, camisas novas, fotografias de três gerações e homens pouco afeitos a declarações sendo chamados de heróis antes da sobremesa. Na internet, então, quase não havia pai ruim. Todos pareciam extraordinários.

Hoje é segunda-feira.

A louça voltou para a pia, o presente foi guardado e alguém precisa acordar o adolescente que não quer levantar.

É aí que começa a parte menos fotogênica da paternidade.

Um filho demora para contar uma história. Repete detalhes inúteis. Muda de ideia no meio da frase. Fecha a porta. Escolhe amigos que o pai não escolheria. Apaixona-se por quem não estava nos planos da família. Troca de curso, de cidade, talvez de religião. Um dia olha para o pai e diz não.

É nessa hora que se descobre muita coisa.

Durante décadas, o pai brasileiro ocupou um lugar curioso dentro de casa: podia estar ausente e, ainda assim, governar o ambiente.

— Vou contar ao seu pai.

A frase atravessou infâncias inteiras.

O homem nem precisava........

© O Mirante