Depois da fotografia
Ontem foi Dia dos Pais no Brasil.
As mesas ficaram cheias, os restaurantes também. Houve abraços, camisas novas, fotografias de três gerações e homens pouco afeitos a declarações sendo chamados de heróis antes da sobremesa. Na internet, então, quase não havia pai ruim. Todos pareciam extraordinários.
Hoje é segunda-feira.
A louça voltou para a pia, o presente foi guardado e alguém precisa acordar o adolescente que não quer levantar.
É aí que começa a parte menos fotogênica da paternidade.
Um filho demora para contar uma história. Repete detalhes inúteis. Muda de ideia no meio da frase. Fecha a porta. Escolhe amigos que o pai não escolheria. Apaixona-se por quem não estava nos planos da família. Troca de curso, de cidade, talvez de religião. Um dia olha para o pai e diz não.
É nessa hora que se descobre muita coisa.
Durante décadas, o pai brasileiro ocupou um lugar curioso dentro de casa: podia estar ausente e, ainda assim, governar o ambiente.
— Vou contar ao seu pai.
A frase atravessou infâncias inteiras.
O homem nem precisava........
