UEFA mariquinhas
A sanção aplicada pela Comissão de Controlo, Ética e Disciplina da UEFA, ao jogador do Benfica, Prestianni, toca o insólito, com contornos de bizarria.
Prestianni terá chamado "maricon" a Vinícius Júnior, e as palavras foram enquadradas no estatuído no Art.º 14.º do regulamento disciplinar da UEFA, que tem como título "Racismo e outras condutas discriminatórias".
Colocar uma picardia entre jogadores ao mesmo nível do racismo ou de outras formas de discriminação racial é absolutamente desproporcionado e atenta contra o espírito da própria norma.
O racismo, em todas as suas formas, deve ser severamente penalizado, porque é a antítese do futebol. Futebol é o desporto onde cada um procura a superação, desafia-se a si próprio a encontrar mais dentro de si, sem esquecer que o seu valor só é útil quando colocado ao serviço de uma equipa. Equipa que tem mais 10, independentemente da cor, raça ou convicções religiosas.
A submissão que cada um tem de fazer ao fim maior, que é a equipa, exige respeito e camaradagem, por isso qualquer ofensa ao próximo é uma ofensa ao Futebol.
Mas, manda o bom senso, a experiência e a sensatez, que se saiba diferenciar uma ofensa de uma picardia. Estádio sem palavrões seria outra coisa qualquer, mas não seria um estádio de futebol.
Se os árbitros tivessem o melindre do jogador Vinícius Júnior, não existiriam juízes para arbitrar os jogos. Deverá ser difícil encontrar, na história do futebol, um jogo onde o árbitro não tenha recebido uma colecção de impropérios dirigidos a ele e a toda a família até ao terceiro grau.
Por isso, o que numa relação interpessoal poderia ser ofensivo, num jogo de futebol perde toda a gravidade.
Num estádio, a pessoa deixa de se sentir "um indivíduo" e passa para a condição de "adepto", a sentir-se parte de um grupo enorme. O anonimato reduz o sentido de responsabilidade pessoal. É mais fácil insultar quando ninguém sabe quem foi.
É a lógica tribal a proporcionar a catarse.
Seria bom que a UEFA percebesse melhor a essência do futebol e abandonasse um fundamentalismo de género absolutamente inapropriado.
