Superação é o sangue do futebol
Portugal ficou com apenas um representante na Champions, o Benfica não conseguiu ultrapassar o gigante espanhol Real Madrid e o Sporting teve de esgotar todo o suor para superar os Vikings do Bodo/Glimt.
O clube norueguês é a verdadeira surpresa da Champions. Do norte da Noruega, de uma cidade com 50.000 habitantes, praticamente a mesma população da freguesia do Lumiar, surgiu uma equipa com uma capacidade física ímpar, parece que os minutos de jogo passam, mas não passam por eles. Ao minuto 90 parecem estar na mesma forma com que iniciaram o jogo.
Sabendo que não têm orçamento para adquirir jogadores da escala de valores do Sporting, poderiam assumir uma atitude defensiva, o chamado "autocarro" à frente da baliza. Mas não foi assim. Lutaram e atacaram durante todo o jogo, apresentaram-se com estratégia aguerrida e sem acusar qualquer temor pela diferença de orçamentos.
O orçamento do Bodo/Glimt, para 2026, é de cerca de 50 milhões de euros, aproximadamente 1/3 do orçamento do Sporting, não considerando as receitas de venda de jogadores. Também nas despesas com ordenados dos jogadores a diferença é colossal, os noruegueses têm uma folha salarial de 9 milhões, aproximadamente 1/4 da despesa do Sporting.
A diferença de valores é muito grande, mas não tem correspondência na diferença de desempenho. A assimetria foi claramente compensada, e por isso esbatida, pelo espírito de equipa que os noruegueses revelaram.Futebol é, cada vez mais, um jogo onde o todo prevalece sobre as individualidades. As grandes estrelas produzem momentos icónicos, são referências, mas no fim da competição vence a equipa que se mostrou mais coesa.
É uma tendência que se tem vindo a consolidar e coloca os treinadores no papel principal. São eles que transformam 11 num só, são o cimento que cola as diferenças, tornando-as complementares quando pareciam incompatíveis.
