Francesco Farioli é que é o fantasma do Ajax
Se Francesco Farioli bebesse um cálice de vinho do Porto de cada vez que lhe falassem do Ajax ou que puxassem o tema nos mais diversos espaços de opinião, alguns, ainda recentemente, com direito a imagens do técnico em lágrimas em Amesterdão, raramente poderia pegar no carro. Foi quando chegou, quando começou a ganhar, quando continuou a ganhar, quando perdeu pela primeira vez, quando não matou, mas não saiu ferido dos clássicos, quando recuperou vantagem... Claro que o tema podia ser tudo menos tabu e o próprio treinador falou nas cicatrizes que carregava, na primeira conversa com o plantel do FC Porto, mas virou teste de resistência emocional, entre várias abordagens e comparações pouco razoáveis. Assombrado está o Ajax, que não soube segurar um treinador que lhe devolveu a competitividade quando mal tinha condições de lutar pelo título. Antes de Farioli, ficou a 35 pontos do PSV, por agora está a 23 e a tentar ir à Liga Europa em vez da Conferência.
Quanto ao Sporting, é desafiado a não permitir que a frustração o faça despejar o bebé com a água do banho. A linha entre o sucesso e o insucesso é ténue e os leões estiveram na luta até rebentarem pelas costuras perto da meta. Não ser campeão não significa que se fez tudo mal, mas houve problemas evidentes que têm de ser resolvidos e esse rebentamento será, talvez, o mais premente. Rui Borges errou ao não gerir tanto o esforço ou errou a SAD ao não lhe dar as devidas condições para isso? A verdade costuma andar pelo meio, mas ainda há campeonato pela frente e um poleiro muito importante por decidir, a Liga dos Campeões. Ambos os calendários têm desafios, mas o Benfica tem a vantagem anímica e um plantel mais desafogado, enquanto prossegue o impasse pela continuidade de José Mourinho.
Uns degraus mais abaixo, foi sem surpresa que o Braga foi ao Atlântico poupar energias para o primeiro dos dois jogos mais importantes da história do clube nos últimos anos, contra o Friburgo, nas "meias" da Liga Europa. Ganhou margem para isso à frente do animado comboio minhoto da luta europeia e até lhe pode acrescentar uma carruagem no sexto lugar - admito que seria interessante ver finalmente o projeto do Famalicão na UEFA. Quem não tinha nada a ver com isto era o Santa Clara, que deu um salto importante para afastar-se do abismo, cuja luta parece restringida a três.
O Estrela da Amadora lembrou-se agora de trocar de treinador e apostar em Cristiano Bacci, que deixara o Tondela, outra equipa nesta luta em que também está o Casa Pia. Um daqueles clássicos do futebol português...
