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O castelo fácil

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05.04.2026

Uma estratégia comercial converteu-se em moda social. Não é propriamente inédito, diversas tentativas de estimular o consumo fizeram-no inúmeras vezes. Refiro-me especificamente à "experiência". Produtizou-se a "experiência" com o intuito de revitalizar turismo, restauração, hotelaria, entretenimento e cultura.

Jantar fora é banal, experiência gastronómica já não. Mesmo que se coma exactamente a mesma coisa, no mesmo sítio, em ambas as situações. A distinção semântica cria percepções diferentes, simulando patamares sociais desnivelados. Uma, é apenas refeição para o Zé. Outra, é uma experiência fotografada, filmada, partilhada e comentada nas redes sociais. Mas o Zé é o mesmo.

Agora que satirizei e reduzi o ego da experiência à sua justa insignificância, já me sinto confortável para falar da experiência onde ela é útil para enriquecer a consciência e criar conhecimento.

O memorial do holocausto em Berlim foi construído numa arquitectura que propositadamente causa desequilíbrio físico e desorientação ao visitante. A sala museu documental é subterrânea, sem clarabóias, impondo a sensação de opressão e claustrofobia. Em todo o monumento não existe qualquer decoração, qualquer sugestão de beleza ou conforto. A experiência da visita é profundamente deprimente a par de solene. Como a morte de milhões de seres humanos deve ser. Todo o monumento foi objectivamente projectado para infligir experiência. Sem na realidade existir no local qualquer cemitério, depósito de cinzas, um singular cadáver, qualquer dispositivo destinado à tortura ou causar a morte, a sensação de tudo isso é omnipresente. Uma arquitectura inacreditavelmente hostil conduz o visitante ao estado de espírito certo, susceptível de perceber a mensagem. De forma indelével. A história é transmitida por via emocional. A experiência resulta em conhecimento.

Os castelos, tanto os de função militar como os decorativos, foram construídos em locais altos por várias razões. Sendo as principais, o maior alcance da vista e a inacessibilidade. Repito: a inacessibilidade. Ver mais longe, para identificar qualquer potencial ameaça o mais precocemente possível. Dificultar ao máximo a aproximação da ameaça, com acessos tortuosos, difíceis e desgastantes. A subida íngreme e acidentada até ao (preferencialmente) único ponto de acesso ao interior, garantia que o inimigo chegava exausto, sem forças para lutar. O portão principal, no fundo de um funil de pedra, permitia que uma pequena força conseguisse deter e aniquilar invasores em número substancialmente superior. Ali chegados, viam-se entalados num espaço exíguo sem mobilidade, entre as armas dos defensores frescos à sua frente e a pressão dos restantes invasores a empurrar nas suas costas. Exaustos pela subida exigente, as vantagens somam do lado........

© Jornal Torrejano