menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Desta vez é que é! - antónio gomes

34 0
22.02.2026

Em todos os desastres naturais que têm afectado o território nacional, sem excepção, fazem-se diagnósticos e prometem-se novas atitudes. Isto sejam incêndios, cheias ou inundações ou ondas de calor. É sempre assim como toda a gente sabe.

Mas continuamos a responder de forma reativa e geralmente mal. Os governos não têm estado à altura, o actual não foi excepção, respondeu atabalhoadamente quando as populações mais precisavam da ajuda do Estado.

Os últimos acontecimentos comprovaram mais uma vez que a ciência climática tem toda a razão, seja na informação disponibilizada, nas propostas que vai fazendo, nos diagnósticos que publica. Os gases com efeito de estufa estão mesmo a mudar o planeta, a influenciar a natureza. Os negacionistas, como os partidos Chega e Iniciativa Liberal, travam uma luta para influenciar a opinião pública de que nada mudou no clima - estão errados e são perigosos.

Mas também existem muitos outros responsáveis políticos que, não se declarando negacionistas, tudo fazem para que nada mude, tudo se vai mantendo como se as alterações climáticas fossem um mito. É o caso de muitos autarcas e técnicos superiores que se vão batendo para que nada mude no ordenamento e planeamento do território, incapazes de afrontar os interesses instalados, nomeadamente na classificação de terrenos de forma a manter a construção urbana em leitos de cheia e em zonas de declives.

Em Torres Novas está a decorrer a revisão do PDM: ao fim de quase 25 anos, está finalmente em fase final, julgo eu, de apreciação das propostas públicas apresentadas. A julgar pelo projecto apresentado, se não forem aceites alterações significativas, vamos continuar a jogar o jogo da sorte - pode ser que não aconteça.

Parte muito significativa do vale do rio Almonda são zonas inundáveis há centenas ou milhares de anos, como toda a gente sabe. Ainda assim, construiu-se muito junto ao rio, não havia o conhecimento que há hoje e nem se assistia aos fenómenos extremos que temos vindo a testemunhar nas últimas décadas.

O que é grave é a construção recente quando já havia conhecimento científico e as alterações climáticas eram........

© Jornal Torrejano