O Sofrimento dos Outros: Carta aos fascistas
É um livro de Susan Sontag, este. O título tem o verbo «olhar», no gerúndio. Olhando o Sofrimento dos Outros. Edição da Quetzal. Foto de Susan Sontag na capa. Virgínia Woolf convocada logo de início e, nomeadamente as suas dissertações sobre a guerra e suas origens em Os Três Guinéus. Uma tese desse livro e que Sontag relembra: «Os homens gostam da guerra». A guerra é a possibilidade da glória. O seu atrativo é o horizonte do poder. Há nessa projeção do poder uma ilusão, que é, no fundo, uma ingenuidade: ter-se a concreta ideia de que o poder e a glória podem eternizar-se num para-além da vida de todos os dias, calendário inexaurível da morte. De Mussolini a Hitler, de Franco a Estaline, de Mao a Pol Pot, mas com raízes possíveis nesse episódio acelerador da História que foi a Revolução Francesa e o Horror, o que a moderna idade em que nós vivemos nos deu foi, apesar da educação ilustrada, da democratização do livro, da melhoria das condições de vida e do desenvolvimento da tecno-ciência, o fim da compaixão. Não é meramente um sentimento cristão. É uma consequência de certo tipo de ilustração, ou melhor, de certa forma de compreender algo que esta mesma nossa ‘moderna idade’ nos roubou: a consciência........
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