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O impacto

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Com mais de um mês de conflito no Médio Oriente, os impactos começam a materializar-se e a gerar efeitos secundários na economia. A subida abrupta no preço do petróleo, se bem que abaixo dos máximos de 2022, após a invasão da Ucrânia, está a ter consequências semelhantes.

Nesse ano a inflação disparou e os efeitos de contágio por toda a economia não se fizeram esperar. Tudo depende da energia, e o petróleo e gás são uma fonte insubstituível na sociedade atual. Desde transporte de alimentos e bens, ao turismo ou viagens, o custo dos bens e serviços finais são afetados. Mas o custo final não depende apenas da matéria-prima. O valor dos seguros de navios ou o custo dos trabalhadores aumentaram. O maior risco está sempre associado a maior incerteza e, por isso, as companhias seguradoras pedem valores mais elevados para segurar as cargas, o que tem impacto no preço final.

Por outro lado, uma parte da infraestrutura energética dos países do Golfo está a ser atacada ou destruída, no caso do Irão, o que suscita dúvidas quanto à possibilidade de recuperação do nível de produção de petróleo anterior a este conflito. Significa que, apesar de num prazo de dois anos podermos ter preços de energia mais baixos, os agentes económicos irão confrontar-se com custos mais elevados no imediato, e que, em última análise, serão pagos pelos consumidores.

É nesse sentido que as taxas de juro de longo prazo se estão a posicionar, para um nível de inflação globalmente mais elevado. No início do ano não se perspetivava nenhuma subida de taxas de juro por parte do Banco Central Europeu. Ao dia de hoje, a expectativa é que os juros possam subir dos 2% para 2,75%, mais 30% até ao final do ano. Esta subida, a verificar-se caso o conflito não termine no próximo mês, traduzir-se-á num aumento de custos de financiamento para empresas, particulares e o próprio Estado.

A inflação é a maior ameaça às poupanças paradas e os portugueses estão muito expostos a esta ameaça. São mais de 200 mil milhões de euros em depósitos a prazo ou à ordem que estarão sujeitos a uma desvalorização crescente. A única alternativa será o investimento. E, tal como 2022 se revelou uma excelente oportunidade para comprar ações ou obrigações, a situação atual não será muito diferente.

Os conflitos trazem imensos desafios, mas também muitas oportunidades. A Europa terá de se posicionar para mais uma ronda de investimento para reforçar a sua independência energética e tornar a economia resiliente a choques externos. Este processo envolve recuperar a energia nuclear para o debate e reforço das interligações e infraestruturas, e poderá ser um os motores de crescimento da economia. Basta vontade política.


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