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Entre o Messias e o Monarca

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03.03.2026

Há algo de estruturalmente novo — e simultaneamente arcaico — no fenómeno político que envolve Donald Trump. Após sobreviver a uma tentativa de assassinato durante a campanha, consolidou-se entre seus apoiantes a percepção de que sua trajetória transcende a política ordinária. A narrativa da missão substitui a da alternância; o destino pessoal sobrepõe-se ao ciclo institucional.

Quando Trump afirma que a única coisa que o limita é sua própria moralidade, desloca-se o eixo da legitimidade. Já não se trata do direito internacional, das alianças tradicionais ou dos freios constitucionais. O limite passa a residir na consciência individual do líder. A formulação ecoa a antiga doutrina do poder divino dos reis: o governante responde apenas a Deus — ou, na versão contemporânea, à sua própria convicção........

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