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As velhas fidelidades e o furacão da direita popular

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28.01.2026

As eleições, que antes pareciam entediantes, transformaram-se num dos momentos mais disruptivos e reveladores das últimas décadas. Comentadores e figuras políticas da convencionada direita sistémica atropelam-se em ávido apoio a António José Seguro, uns porque sempre foram centristas maleáveis sem convicções assinaláveis, agindo por tacticismo pessoal, outros porque ainda se deixam intimidar pelas manobras que a esquerda utiliza há 50 anos para matar à nascença qualquer força política que pretenda dar corpo a valores de direita.

Reina agora um ambiente em que as pessoas se sentem impelidas a apoiar Seguro, mais por ódio ao adversário e por teatro de lealdades, do que por entusiasmo genuíno pelo candidato. Chega-se ao ponto de desconfiar do silêncio e da neutralidade. Ainda que grande parte dos comentadores e figuras de proa dos partidos tentem reduzir a disputa final a uma escolha entre decência e a indecência, ou autoritarismo e democracia, o rigor conceptual obrigará qualquer pessoa séria a procurar uma dicotomia fiel e imparcial que dê alguma ordem racional àquilo que está em jogo neste embate entre Ventura e Seguro. Para começar, distinguir os candidatos entre o lado da decência e o lado da indecência é a arma do desespero de quem tenta, com pudor selectivo e algum preconceito de classe, desqualificar o adversário, depreciando o seu estilo e censurando temas no debate democrático.

Em segundo lugar, é incorrecto afirmar que Seguro é o candidato democrático e que Ventura é uma ameaça à democracia, pois ambos têm legitimidade democrática e operam de acordo com as regras do sistema eleitoral e do pluralismo partidário. É falaccioso imputar intenções a um actor político com o propósito de projectar sobre ele uma visão moralista negativa e, por essa via, desqualificar a sua candidatura no espaço público.

Finalmente, a dicotomia entre “socialistas” e “não socialistas” também poderá não ser a mais adequada, j a que: primeiro, porque o termo não tem grande correspondência na realidade, à medida........

© Jornal Económico