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É com o coração que se lê melhor o território

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11.03.2026

1 - António José Seguro tomou posse, na segunda-feira, como Presidente da República depois da maior vitória de sempre na democracia portuguesa. Uma das frases-chave do discurso na Assembleia da República foi a que se traduziu na promessa de ser o “Presidente de Portugal inteiro”. Este “Portugal inteiro” será o Portugal unido dentro da sua saudável diversidade, a começar pela política, que é benéfica para a saúde do espaço público. Mas neste Parlamento fragmentado, com alguns elementos especialmente empenhados em criar ruído, divisão e casos, constituí, também, um profundo alerta para a exigência de manter o cimento da nossa democracia e da nossa convivência em patamares relativamente educados e sãos. E essa competência faz parte da demanda por um Portugal que não abre brechas nem cede a clivagens artificiais que uns quantos querem fomentar para benefício próprio. O outro “Portugal inteiro” é aquele Portugal que é muito caro a António José Seguro: O Portugal de todos e para todos, onde se inclui este Portugal Interior que o novo Presidente da República tão bem conhece. A sua vila de Penamacor é um dos epicentros de um Portugal deixado à deriva, obrigado a olhar para o declínio demográfico como um  “sinal dos tempos”, como uma inevitabilidade que a dita “modernidade” trouxe. Não por culpa própria, mas por força de um país que tantas vezes não consegue ser “inteiro” na forma de como olha para si. Um país que não consegue estabelecer patamares mínimos de equidade territorial, um país de reformas adiadas, de promessas vãs que se traduzem em mais declínio e esquecimento. Nada disto é novidade para António José Seguro. Não é novidade para ele, não porque as não tenha estudado e investigado, mas porque as sente desde sempre. E isso faz toda a diferença na hora de se olhar para um território e para a suas gentes. O coração entende coisas que, por mais que se tente, são impossíveis de colocar naqueles diagnósticos que já estamos todos saturados de conhecer e que apenas servem para encher as gavetas dos ministérios e das secretarias de Estado. Sabemos que o Presidente da República não tem poderes executivos, apesar de alguns candidatos terem passado as campanhas eleitorais para as Presidenciais a agir como se fossem candidatos a primeiro-ministro. Mas sabemos uma outra coisa: Que a palavra, a ação e o exemplo de um Presidente da República respeitado tem, muitas vezes, mais força do que uma lei. 

2 - Há uma verdadeira torrente de saídas de vereadores do Chega por este país fora. Abandonam o partido pelo qual foram eleitos e alguns assumem o sempre confortável estatuto de “independente”. Independentes do quê ou de quem não se sabe muito bem, até porque essa “independência” pode dar jeito para ampliar informalmente maiorias relativas de outras forças políticas. O eleitorado deste partido, o tal que se assume “antissistema” deve estar a adorar estas incisivas estocadas contra o “sistema”. 

3 - A linha da Beira Baixa está em risco de ficar parcialmente encerrada durante cerca de meio ano por causa da queda de um talude entre Belver e Barca d´Amieira. Se a linha tivesse outro nome e se servisse outras regiões, talvez a notícia de que a recuperação de um talude possa durar todo este tempo fosse recebida de outra forma. Ou melhor, se a linha tivesse outro nome e se servisse outras regiões, alguém se atreveria, sequer,  a anunciar tal coisa?


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