A Deserdeira
No banco dos réus, coladas braço com braço, perna com perna, um friso genético de quatro mulheres. Uma senhora idosa, a filha volumosa e duas grandes netas quase iguais à mãe. Na cadeira das testemunhas, uma mulher magríssima com cabelo pintado desde o vermelho ao roxo do Senhor dos Aflitos, e que em nada, nada, se parecia com as outras. Mas estavam todas ligadas pela pequena história humana. Há muitos anos, um contabilista saiu de casa, criou uma segunda família com a colega do escritório e um dia morreu. A procuradora da República perguntou à mulher de cabelos púrpura.
- Conhece estas senhoras que estão sentadas atrás de si?
- Não. Só em relação ao processo, pessoalmente não as conhecia antes.
A voz serena de perguntem-me o que quiserem. A procuradora continuou:
- Quando diz pessoalmente, quer dizer que nunca esteve na sua vida na presença destas senhoras, ou não são das suas relações........
