O verão só apresenta a fatura
O calor extremo deixou de ser uma surpresa. Não podemos continuar a olhar para o território como se julho, agosto, e setembro fossem um acidente.
Podemos estar à entrada de mais um episódio. O IPMA assinala para estes dias condições quentes e secas, temperaturas acima dos 35 graus em várias regiões e uma combinação especialmente desfavorável para a floresta.
Outra onda de calor. E depois?
A pergunta pode parecer cínica. Não é. É uma pergunta política.
Até ao início de julho, Portugal continental já tinha registado seis ondas de calor e 59 dias nesta situação durante os primeiros seis meses de 2026. Junho foi muito quente, muito seco e trouxe duas ondas de calor, redução da água disponível no solo e o aparecimento de seca meteorológica em várias regiões do país. O calor extremo deixou de ser uma ocorrência excecional para passar a fazer parte do contexto em que governamos.
Portugal tem uma liturgia nacional do fogo. Começa com os mapas pintados de vermelho, segue-se a subida dos estados de prontidão, o posicionamento de meios, as declarações públicas e a contagem ansiosa das ocorrências. Depois chegam os aviões, as colunas de fumo, os diretos televisivos e, por vezes, a tragédia. Finalmente, surgem as comissões, os anúncios e as promessas de que, desta vez, tudo será diferente.
Um ou dois verões depois, repetimos a cerimónia. Celebramos a épica do........
