Um exemplo sem prova de bala
Começa a ser difícil descrever a sensação de falhar três "match-point" numa época. Foi assim contra o Benfica e Sporting no Dragão e voltou a ser assim na Luz no último clássico da Liga. A evidente superioridade da primeira parte não resultou apenas do resultado com que saímos para o intervalo. O controlo do jogo, a autoridade territorial em todas as zonas, a intensidade pujante em quase todos os duelos, a eficácia e o foco na missão de cada um. Teria sido um exemplo se tivesse sido à prova de bala. Mas a pausa não trouxe um balneário conselheiro.
Percebe-se e justifica-se que Farioli subtraísse jogadores com amarelo, prontamente aptos a ser expulsos numa segunda parte que prometia intensidade e percalços vários. Na prática, seria uma opção mais do que justificada não fossem Pepê e Gabri Veiga os dois jogadores capazes de ter mais posse e critério no meio campo ofensivo. Retirá-los em simultâneo não significou apenas o reforço do meio campo com Fofana em parelha com Froholdt, alicerçando o lado físico do jogo: sem eles, o F. C. Porto perdia a posse de bola e o critério. Pouco depois, sem Pietuszewski, perdia a razão para o Benfica se manter em guarda lá atrás. O resultado, como se viu, não foi de controlo ou domínio. Mentalmente subjugado a ter que defender uma vantagem, bastava que o Benfica conseguisse marcar para sabermos o que sucederia. Para os encarnados era o tudo ou nada.
Num empate que deixa tudo na mesma, conta-se menos uma jornada para o fim. É indiscutível que o empate do Sporting em Braga permitiu jogar com o resultado na Luz. Mas uma equipa que entrou a fazer tudo bem feito nos primeiros 45 minutos, não merecia ser ligada a um redutor durante a segunda parte. Tivemos o jogo na mão e o campeonato no bolso.
*Adepto do F. C. Porto
