No "timing" das decisões
Forjada na vontade, no querer, na raça e na qualidade. A vitória do F. C. Porto em Braga, após estar a perder num Nobre penálti que devia ser recordado - em museu e cursos de arbitragem - ao lado do penálti não assinalado por Miguel Nogueira (e o reincidente VAR, Bruno Esteves) de António Silva sobre Deniz Gul no Dragão, encerra com sangue azul um mês de março da maior exigência. As premonições de uma equipa perto do precipício foram por demais exageradas. O F. C. Porto que vimos em Braga é o culminar de uma equipa que aprendeu a controlar o jogo com e sem bola (não é por acaso que vencemos os dois jogos com o Braga sem termos o maior tempo de posse). Não foi diferente no empate na Luz, nem na derrota em Alvalade para a Taça, nem nas vitórias frente ao Estugarda. A ideia de superioridade foi sempre uma constante, talvez só menos evidente no jogo tático e em suspensão no Dragão frente ao Sporting, perdido no último instante numa penalidade absurda.
A rotatividade assertiva promovida por Farioli permite-lhe encontrar "dois oitos" com um denominador comum, Diogo Costa, e três denominadores infalíveis, Pepê, Froholdt e Bednarek. É admirável olhar para o que Pietuszewski acrescenta, ao que Fofana se compromete em nome do modelo de jogo, e como Zaidu renasceu após ostracismo e lesões. Sem um ponta de lança que valha golos certos em quase todos os jogos, o milagre coletivo em que Gul e Moffi se insere só pode mesmo ter nome de treinador de exceção gravado. Aconteça o que acontecer, mesmo tendo roçado a mediania em muitas vezes em que ganhou, este é um F. C. Porto que aparece exuberante no "timing" preciso de todas as decisões.
*Adepto do F. C. Porto
